ANSIEDADE: O ADVERSÁRIO DO GOLFISTA
Quando analisamos as ocorrências de uma ação desportiva, temos a tendência de apreciá-la como sendo o resultado de um planejamento racional, buscando um conteúdo lógico que depende em muito do produto final; se o ato foi vitorioso, o processo deu-se conforme se previu e caso tenha acontecido uma derrota, a explicação é clara, o processo não se deu da maneira planejada.
Parte do que foi mencionado acima é verdadeiro, mas existe um fator fundamental no esporte que perpassa esse mundo cognitivo, que é um mundo lógico e organizado, como se pudéssemos controlar todas as variáveis que acompanham o MOMENTO ESPORTIVO. Nos dias de hoje, existe uma variável que altera a todo instante a performance do atleta; é o fator emocional que carrega consigo uma gama inesgotável de pequenas “armadilhas”.
Na minha prática cotidiana como psicólogo esportivo, tenho escutado e vivenciado estas “armadilhas” e justamente uma delas – a ansiedade, tem-se revelado como sendo um dos grandes obstáculos para os golfistas.
Desde que nascemos, somos colocados cara a cara com um número significativo de situações, aonde vamos tomando conta da nossa limitação como seres humanos. Frente a estímulos externos e internos reconhecemos nossa vulnerabilidade. Estas limitações e vulnerabilidades, não são expressão de patologia, mas são inerentes à própria condição de ser humano; são também as fontes universais da ansiedade.
“Não consigo dormir na véspera de um grande torneio”. “Quando chego no tee do 1, sinto uma sensação estranha, é o buraco mais difícil pra mim”. “Muitas das vezes, quando chego no green, o que eu quero mesmo, é bater na bola o mais rápido possível”. “Quando estou treinando sou um jogador, quando entro no campo de golfe, sou outro”. Todas as frases mencionadas acima carregam com certeza o conteúdo da ansiedade.
Quando pensamos em ansiedade a definição mais comum é a de um sentimento de insegurança causado por uma expectativa de algum perigo, ameaça ou desafio existente. O trabalho do psicólogo esportivo deve ser em primeiro lugar, tentar descobrir “este perigo, esta ameaça” e em segundo lugar, quando estiver elaborando o perfil psicológico do atleta, diferenciar ansiedade-traço de ansiedade-estado, pois desta forma poderá ajudar o atleta na melhoria do seu equilíbrio emocional, o que acarretará a melhoria da sua saúde.
Definiremos estes dois tipos de ansiedade: a) Ansiedade-traço, é uma característica relativamente permanente da personalidade do indivíduo e b) Ansiedade-estado, ocorre durante situações temporais, ou seja, depende da qualidade da situação.
Simplificando a questão, podemos dizer que ansiedade no esporte em geral e no golfe em particular, é o “medo” de perder alguma coisa, quer esse “medo” seja real ou imaginário. Podemos também afirmar que este nível de ansiedade está muito vinculado à importância do fato esportivo para o indivíduo e a incerteza do resultado da competição.
O golfe é um esporte que tem um meio onde se vivenciam as emoções com muita intensidade. As competições despertam sentimentos não só nos atletas, como nos pais, familiares, amigos, treinadores, patrocinadores e outros. Os processos emocionais podem acompanhar, regular e apoiar a ação desportiva, mas também podem perturbá-la ou até impedi-la.
Por fim, é aconselhável que atleta e psicólogo esportivo, ao detectarem a existência desta “armadilha”, chamada ansiedade, preparem um plano de trabalho bem discutido e compreendido, que tenha como base: a) técnicas de psico-regulação, b) descanso (dormir bem); c) dieta alimentar; d) técnicas de respiração e e) fortalecimento do treinamento técnico, com sistematização da rotina.
Esmerino Rodrigues Junior – Psicólogo Esportivo da CBG