O Brasil no Sul-Americano – A felicidade no golfe
Por Marco Frenette
Alguns pais apaixonados pelo golfe se ressentem de não encontrar nos filhos o mesmo entusiasmo que demonstram por esse jogo tão sedutor. Já o pai de Bruna Spengler não sabe o que é esse desgosto desportivo. Bruna Spengler, aos treze anos de idade, viu seu pai – então um golfista iniciante – chegar em casa com uma taqueira. Imediatamente, intuiu que aquele poderia ser o jogo da sua vida. “Insisti muito para ser levada a campo. Queria demais experimentar o golfe. Meu pai não teve outra saída se não me levar o mais rápido possível”, conta Bruna.
A iniciação foi no clube onde ela treina até hoje, o Santa Cruz Country Club, único campo de 18 buracos no interior do Rio Grande do Sul. “Quando pisei no campo foi como uma revelação. Fiquei muito feliz de estar ali. Não tive dúvidas que aquele jogo, o qual ainda nem tinha começado a aprender, iria ter uma papel de destaque na minha vida”.
Ela estava absolutamente certa, pois bastaram menos de três anos de golfe para ela chegar onde está nesse exato momento: defendendo o Brasil, ao lado de Daniela Murray e Cecília Kleinert, no 40º Campeonato Sul-Americano Juvenil de Golfe, cuja decisão acontece nesse sábado, dia 31.
Primeira do ranking em sua categoria juvenil, Bruna diz que não pretende se profissionalizar. “Vou estudar nos EUA e continuar a jogar golfe. Se acontecer de o golfe se tornar minha profissão foi porque houve um processo tranqüilo. Não quero colocar sobre meus ombros essa pressão da profissionalização, pois há o risco de você se tornar infeliz por não atingir seu objetivo. Vou com muita calma nas minhas pretensões”.
Esse truque psicológico de “não querer querendo” revela um bom grau de maturidade dessa jovem golfista. “O golfe é uma dádiva. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, e quero que continue sendo assim: o jogo sempre associado à minha felicidade e à minha qualidade de vida”.
Porém, golfe competitivo é sinônimo de pressão, e disso nenhum jogador escapa. “Mas vai do modo como cada um lida com isso, não? Não sou de amarelar, mas às vezes acontece, e luto muito contra isso. E apesar de não conseguir ainda ficar inteiramente focada, tenho bons momentos de pura concentração, na qual sou só garra e vou atrás da vitória. Nesses momentos só vejo a bandeira à minha frente – é bola para birdie com certeza. É esse estado mental que quero transformar em minha rotina de jogo”.
Bruna costuma chegar na bola com firmeza e determinação. Sua postura é ao mesmo tempo relaxada e atlética; e seu swing segue os fundamentos modernos: giro no eixo, sem o finish com o “c” invertido, marca dos antigos swings que buscavam potência sem tirar todo o proveito do torque gerado por uma base estável. No entanto, quando ela está nesse estado de concentração no qual tudo se resume ao alvo, sua postura e swing melhoram. Adquirem uma autoridade atlética e golfística que são as marcas registradas de qualquer grande jogador. E se ela faz isso às vezes, poderá fazer com muito mais freqüência. Tudo vai depender do que essa gaúcha vai realmente querer fazer com o jogo que tanto ama.
As armas de Bruna Spengler
“Jogo com ferros X-18, da Callaway, varas regulares. As madeiras 5 e 3 são da Titleist, da série 904. Meu driver é da mesma marca, é o 905, com loft de 9.5 graus. No lugar do ferro 3 uso um híbrido da Taylor Made, de 22 graus. Com ele consigo bater distâncias maiores com um swing mais suave, e o vôo da bola é melhor, parando com mais facilidade no green. Meu putter é um Titleist by Scott Cameron. Gosto de putter tipo blade por conta do visual limpo, sem aquele excesso de massa e linhas que vem nas traseiras dos mallet putters. Durante o stroke não quero nada no putter desviando meu olhar.”









